Convicção é coisa rara hoje em dia. A moda hoje é ser fugaz, inconstante e, se possível até, volátil para não ter que assumir certas culpas ou responsabilidades. Ser convicto pode ser facilmente relacionado a ser careta, alienado, porque, na verdade, o legal agora não é ter sua opinião e respeitar as outras, mas experimentar, saborear a opinião alheia. Não é fazer parte de um mundo e ter consciência de que outros mundos também existem. É pisar um pouquinho em cada universo, sem comprometer-se, comprometendo, porém, a idoneidade de cada mundo que tanto precisou de mentes convictas para serem criados. Tá, eu sei: "tudo muda o tempo todo no mundo". Mas, talvez não devamos confundir a rotação natural das coisas. Não deixemos que os mundos nos escolham. Escolhamos nós nosso próprio mundo.
domingo, 30 de outubro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Entre tons e pausas
E nos silenciamentos da minha melodia
Retomo a lição do compasso
Se perco o tempo da pausa
Recomeço ou me desfaço
Pois minha canção é minha só
E se há tons que não consigo acompanhar
Entre a luz do sol e a pena em dó
Eu me calo [só] para não desafinar
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Verso
domingo, 14 de agosto de 2011
Mudou de figura...
A coisa, agora, mudou de figura. Não se fala mais em solucionar o problema da criminalidade mexendo na raiz do problema. Não se fala mais em educação de qualidade (tanto a da escola, como a de casa), porque isso virou discurso manjado, repetitivo e de solução a longo prazo. Não dá mais pra falar em estipular limites para as crianças em casa, pois seus pais não têm tempo de estar com elas durante o dia e não vão querer desperdiçar o único tempo que têm para isso à noite com sermões e castigos. Vão preferir dar carinho, amor, passar a mão na cabeça e, jamais dariam uma palmadinha no bumbum ou na mãozinha delas, pois está circulando por aí a ideia de que pai e mãe têm de ser amigos. E amigos relevam, não dão ordens...
Enfim, a solução agora é ensinar às pessoas como se defenderem da criminalidade, já que ela está aí para todos (pequenas e grandes cidades), e não se vê mais maneiras de extinguí-la ou diminuí-la, por conta de que os meios lógicos para isso, já viraram contos da caroxinha.
Então, o que temos visto sãos reportagens de como se defender de uma bala perdida; como se comportar num assalto; como sair em segurança de uma agência bancária; etc, etc, etc... Tudo, realmente de cabeça para baixo! Eu imagino um bandido assistindo a um programa de Tv que esteja passando esse tipo de reportagem - ou ele cai no chão em gargalhadas, ou já começa a bolar outras estratégias para driblar os conselhos dos "especialistas em segurança pública". Enquanto isso, a bola de neve vai aumentando: cadeias lotadas, novas leis para soltura de presos, pais mal-educando seus filhos, especialistas nos ensinando a nos defender desses filhos...até que tudo novamente mude de figura, um dia, quem sabe.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
De repente 30...
E de repente, não mais que de repente...30!
Há quem se preocupe, quem se descabele, quem mude a cor do cabelo, quem apenas tonalize o que já existe e quem ria muito disso tudo. Mas, o certo é que não é coisa qualquer. A partir daqui, pensamos em tudo o que não terá mais a mesma rigidez de antes; nos cremes antirrugas (porque os anti-estrias já descobrimos que não existem). Mas também, lembraremos de todas as inseguranças que deixamos para trás: de não sermos aceitos em alguma tribo, ou de nos culparmos tanto pelo telefonema que ele não deu no dia seguinte. Antes, disse Sant'anna, a escalada era de subida, corrida... por que chegar até aqui bem e sem ralar era coisa para poucos, ou quase ninguém. Hoje a corrida é contrária. Aliás, nem é mais corrida, temos é que de sa ce le rar. Não que estejamos "descortinando". Mas, o tempo é outro. Tudo parece menos fugaz, até você entender que "nem tudo é o que parece". O paladar mais depurado; o tato mais livre, treinado; a visão, não literalmente, consegue ser mais abstrata, o que nos permite ver o concreto ( e isso é incrível!); a audição? Essa não tem jeito, é construída desde os primeiros anos de vida, mas, quem não sabia ouvir, se não aprendeu até os 30, é pouco provável que consiga depois. Há pessoas que já têm 40, e nunca fizeram 30 de fato. Se agarram às marcas de espinhas que ainda possuem ou à faculdade que não conseguiram concluir, só para não provarem o suculento e pavoroso sabor da maturidade ( ou do início dela). Mas ela está para todos, menos aos que se vão antes...Sendo assim, prefiro-a, recebo-a... e sei que mais tarde não terei o menor remorso de não tê-la vivido, por medo, apegos ou nostalgias...embora eu não abra mão de nenhum desses sentimentos que me fazem a cada ano sentir viva. Por isso: Viva os 30... Viva aos 30... Viva à vida!
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Chega, não dá mais!
Por Adilson Filho*
“Eu pensei que fosse uma bomba, pois sempre tem essas coisas por aqui”
A fala da menina, na porta da Escola Municipal Tasso da Silveira, após a tragédia mais cruel de que se tem notícia aqui no Brasil, é sintomática e não deixa dúvidas : A escola virou definitivamente um ambiente permeado pela violência manifestada em todas as suas formas, física, simbólica, moral etc.
Há muito que se ouve, sem tem notícia e se sabe de casos de professores agredidos verbal e fisicamente , e até ameaçados por armas de fogo, alunos que se engalfinham entoando cantos de guerra de facções do tráfico, bombas, depredações, pichações etc.
O ambiente escolar além de não ser atraente pros jovens, tornou-se também muito perigoso, pra todos que ali frequentam, alunos, professorres e familiares.
Portanto, sinceramente, nesse momento tão doloroso, pouco importa saber se o “cara” como disse o governador, é um animal ou um psicopata. Pouco importa, se o “modus operandi” foi inspirado em Columbine ou se o crime foi motivado por fanatismo religioso. Não quero saber nada disso.
O que eu quero é que alguma autoridade se pronuncie de forma clara e o mais rápido possível pra falar sobre o que será feito de maneira radical pra mudar a segurança de nossas escolas daqui pra frente; pra que uma pessoa não entre dizendo que vai fazer uma palestra, sem sequer ter seu nome checado na entrada, e dispare mais de cem tiros pra cima de crianças indefesas! Pra que uma menina de 12 anos não fale em rede nacional que jogam bombas “por ali”, na maior naturalidade desse mundo!
Ou vamos optar por continuar dando ênfase aos policiais heróis que aparecerão no Jornal Nacional? Vamos continuar ouvindo o nome do assassino ser repetido um milhão de vezes, continuar assistindo passivos e morbidamente curiosos aos especialistas e psicólogos convidados dos próximos dias na televisão? Ou dando entrevista a jornalista da Globo News na laje “privilegiada” de uma moradora?
Aonde nós vamos parar? Que novo país é esse que estamos construindo em que num momento como esse não se para pra analisar, refletir e se inclinar seriamente pra mudar esse quadro nitidamente falido que é o da segurança de nossas crianças e adolescentes no ambiente escolar brasileiro.
Será que essa é a maneira que nós como sociedade, vamos escolher para acabar de vez com a educação, já tão debilitada e relegada a sabe-se lá que plano em nosso país? Vendo a vida de nossos alunos ser retirada na própria sala de aula – meu Deus! – em crimes que poderiam (sim) serem evitados .
O prefeito do Rio de Janeiro, que dias atrás se disse aliviado por não entrar pra história como aquele que fechou o “Amarelinho”, agora aparece dizendo que a Escola onde ocorreu a tragédia deve permanecer aberta, pois é essa a função social dela etc_ Fechar o Amarelinho, fechar a escola, abrir um fechar o outro ou vice-versa, sinceramente parece fazer pouca diferença nessa equação política, na qual não me aventuro sequer especular.
O fato é que as crianças que choramos hoje, nós não recuperaremos mais, mas e o amanhã? E as crianças e jovens que ficaram , os sobreviventes de todo o Brasil, que amanhã terão que ir pras suas salas de aula viver mais um dia de insegurança e de medo?
Eu termino com a mesma frase que iniciei esse desabafo, que muito me chocou, da menina que deu entrevista a um telejornal do Rio logo após a tragédia:
“Eu pensei que fosse uma bomba, pois sempre tem essas coisas por aqui”
Não podemos naturalizar isso de jeito nenhum. Devemos uma resposta digna , contundente e imediata a essa aluna da Escola Tasso da Silveira , que hoje, dia 7 de abril, simboliza o luto e a luta pra que se implante de uma vez por todas uma Educação digna e humana no Brasil.
Chega!
Adilson Filho, Professor da Rede Estadual do Rio de Janeiro
*Matéria publicada originalmente em Vi o Mundo
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